segunda-feira, 15 de março de 2010

A vez de uma encarregada de educação do 8º C

Decidido, bateu à porta e aguardou. Uma voz um pouco fraca, mas que ele conhecia tão bem disse:


- Pode entrar.

Com o coração apertado e agarrando as margaridas silvestres à sua frente, como se de um escudo se tratasse, Nuno entrou no quarto de Hospital. Muito constrangido e sem saber o que dizer, manteve-se junto à porta, olhando para aquela que foi a sua única amiga nos momentos mais difíceis da sua vida. A sua stora preferida estava encostada na cama, a ler um livro com o título “Como ajudar um toxicodependente a largar o vício”. Tinha a face esquerda coberta com gaze. Percebendo que essa leitura era por causa dele e vendo que, apesar de a ter magoado, a stora ainda se preocupava com ele, sentiu-se possuído por uma tristeza infinita e sentiu os seus olhos encherem-se de lágrimas.

- Então, Nuno? Vieste visitar-me?

Recuperando a voz, Nuno deixou-se cair de joelhos, dizendo atabalhoadamente por entre as lágrimas:

- Desculpe stora, desculpe… Tente perdoar-me. Eu nunca pensei que a pudesse magoar… Não era minha intenção… Nunca imaginei que pudesse chegar a este ponto. Que tenho de fazer para que me perdoe?

Luísa Paula Pereira 2010-03-08

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