quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

9º A

- Ainda não… mas serás se continuares nesta vida de meras ilusões!
Olhou-a confuso. Os seus olhos castanhos espelhavam bem a guerra interior que estava a sentir, a tristeza e a depressão que a imagem lhe provocaram. O Grito saiu-lhe como uma libertação de um pesadelo:
- NÃO! EU NÃO SOU ESTE! As palavras soavam a revolta, a raiva e angústia.
Ariel abraçou-o. Nuno chorou pela segunda vez .
- Vamos? – convidou-o comovida.
Pegou-lhe na mesma mão direita e transportou-se com ele até um lugar muito calmo. Ficava nos subúrbios do grande aglomerado de casas, arranha-céus e chaminés, longe do movimento louco e stressante da cidade. Estavam em frente a uma casa de um único andar, plantada num extenso espaço verde, com enormes janelas, rasgadas para receber a paisagem do exterior. Havia muitas flores e muitas árvores.
Enquanto se demoravam a contemplar aquele pequeno paraíso saiu da casa um homem seguido de duas crianças. À porta ficou uma mulher esbelta que se despediu da família com um sorriso e um acenar gracioso.
Pouco depois, também ela se encaminhou confiante e feliz em direcção a um carro que arrancou atrás da carrinha que levava o marido e os filhos.
Já entendi! Por favor! Preciso de sair daqui!
No momento seguinte estavam de volta ao plátano.
- Já te vais? – perguntou o rapaz com a voz encharcada no pânico que lhe apertou a garganta.
- Estarei sempre contigo, aconteça o que acontecer, mas terás de ser tu a escolher o caminho que queres fazer.

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